• Felipe S Cohen

Conexões

Por Milena Peclat


Neste atual cenário de pandemia, nunca se falou tanto de conexão. As conexões se tornaram primordiais para continuarmos trabalhando, estudando e, pelo menos, ouvindo a voz daqueles que amamos. Apesar do acesso desigual, a tecnologia mostrou que é possível um mundo em que as viagens sejam feitas através das teleconferências, que programas de TV possam ser feitos de casa e que pijamas possam substituir as blusas e calças sociais.

Pode se pensar que talvez esse novo normal fosse trazer mais regalias e flexibilidade. Aliás, estamos dentro do nosso lar, do nosso conforto, ditamos os nossos horários e as tarefas. Não é mesmo? Não, não é. O novo mundo escancarou a nossa desigualdade social, nos obriga a cumprir um nível de produtividade que não existe e nos fez perceber que a solidão existe. E o que nos basta é viver um dia de cada vez. Mas não dá pra pensar em viver se nos falta o que comer ou se iremos sobreviver.

A garantia da sobrevivência da nossa humanidade se tornou a pauta mais importante. Em cada região do planeta afetada pela pandemia, conexões foram feitas para assegurar a vida do outro. Primeiro com o isolamento social, para evitar que mais mortes aconteçam. Posteriormente, com ações que protegessem aqueles que doariam a sua alma para salvar vidas, seja nos hospitais, seja na periferia.

O que não imaginamos era que uma iniciativa voluntária estabelecida através de um conexão em um pequeno grupo de whatsapp iniciasse uma jornada de três meses que resultaria em 23 mil vidas protegidas no Brasil. A SOS 3D COVID-19 conectou ciência tecnologia, inovação e responsabilidade social, agregando estudantes e diversos profissionais, empresas e instituições com o único objetivo de produzir protetores faciais para distribuir as unidades de saúde do estado do Rio de Janeiro.

A partir desta rede de conexões, chegamos aos profissionais de saúde lotados em todos os tipos de unidades de saúde, de todas as realidades possíveis. Desde hospitais de campanha até unidades básicas. Da Capital a Baixada Fluminense, Região Serrana, Região dos Lagos, Região Norte Fluminense, Costa Verde e Região Centro-Sul. Ultrapassamos as barreiras geográficas e chegamos a São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Roraima e Maranhão.

Não nos contentava proteger somente aqueles que eram diariamente expostos aos pacientes e resolvemos ir além. Mais uma conexão foi realizada e assim contribuímos também na proteção daqueles que se doam diariamente para garantir o pão de cada dia para quem não tem como ir trabalhar, que sofre com a marginalização e o com o descaso do estado brasileiro. Chegamos nas favelas!

Diante disso, mais do que estabelecer conexões, consolidamos uma rede de solidariedade. Neste período que nos faltou abraços, se excedeu a empatia. E graças a conexão de 37 voluntários, 97 colaboradores makers e 11 parceiros, cuidamos de quem cuida da gente.

A todos os nossos heróis profissionais da saúde e à sociedade civil, o nosso muito obrigada!

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